Pixelapse

Pixelapse é uma plataforma para colaboração em projeto gráfico e tridimensional. A novidade é o controle de versão otimizado para marcar e comentar diferenças visuais entre objetos. A plataforma é focada no mercado corporativo de design, porém, existe também uma área para projetos abertos. Não fica claro porque as pessoas deveriam compartilhar seus arquivos, mas a possibilidade está lá.

Documentário sobre a história dos Fab Labs

Este ano a rede de laboratórios de fabricação digital iniciada pelo MIT completou 10 anos. O documentário mostra como e por que os laboratórios se espalharam. Além de entrevista com pioneiros, o documentário inclui entrevistas com pensadores como Bruce Sterling e Peter Troxler. Uma excelente introdução a esse novo espaço propício ao desenvolvimento do design livre.

Estruturas abertas e design paramétrico

O projeto Open Structures é uma iniciativa holandesa para definir uma série de componentes para criação de estruturas arquitetônicas ou de produtos. Os componentes são projetados para funcionar da maneira mais genérica possível, permitindo os mais diferentes usos. Um exemplo de estrutura criada pelos visitantes da exposição Designing Scarcity do Nieuwe Institute

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Todos os componentes devem obedecer a regra do grid de padronização, para garantir sua compatibilidade com outros componentes. Assim, cada contribuição ao sistema enriquece todas as outras.

Um exemplo interessante de produto criado com estruturas abertas é o aquecedor de água de Jesse Howard.

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O projeto inclui também um planejamento de custos para produção em massa, demonstrando a viabilidade do produto.

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Junto com colegas, Jesse está começando um novo projeto intitulado hackeando os objetos de casa. A proposta é desenvolver produtos baseado no princípio de design paramétrico, ou seja, projetar componentes genéricos que podem ser customizados de acordo com parâmetros pré-definidos. Esses parâmetros podem ser combinados de diferentes maneiras, gerando variações de um mesmo produto. A ideia é que o próprio usuário tenha a capacidade de fazer essas mudanças.

Divagação sobre conhecimento científico, seu acesso, participação e Ciência Aberta

Ivan Illich é um pensador controverso, que tem diversas críticas (exemplo1 e exemplo2) a instituições como a medicina (e também a educação, os transportes, por exemplo). Uma das observações a partir de seu pensamento, é de que o  monopólio profissional impede que o conhecimento científico seja partilhado. Pensemos em uma questão como a da saúde. Se a saúde for questão apenas científica (monopolizada pela ciência da saúde), ou seja, de cientistas que escolhem o que pesquisar e publicar (e médicos, que posteriormente, diagnosticam e aplicam esse conhecimento), então os leigos (que são não-cientistas) não teriam o que tratar desta questão, pois o conhecimento científico tem que circular entre os envolvidos com a ciência. Existem diversas estratégias para fazer essa separação entre cientistas e não-cientistas: fazer da linguagem (“rigor”) científico algo inacessível e abstrato, utilizar métodos de pesquisa que distanciam observador/objeto de pesquisa, fazer o conhecimento científico circular em espaços restritos etc. O problema é que a questão da saúde definitivamente não é uma questão exclusiva de cientistas, pelo contrário: é de enorme interesse social.

A ciência é uma das formas de trabalhar o conhecimento, mas não é a única. E na sua existência concreta a ciência enquanto instituição não dá (e nunca irá dar) conta de todas as diversas demandas do dia a dia das pessoas. Ela tem suas políticas, enviesamentos, suas pautas, seus interesses e direcionamento de investimentos, que estão ligados às diversas características, inclusive de classe, de quem é cientistas, pesquisador ou tem acesso a este conhecimento.

Isso poderia ser diferente? Uma via é o próprio debate sobre qual o conhecimento produzido. Sabemos que o conhecimento científico não é cumulativo e esta crítica à própria ciência já é incorporada pela Ciência (ex.: ver Thomas Kuhn). Mas será que dá pra confiar apenas nos cientistas, pesquisadores e profissionais (como médicos, professores), quando a própria formação nas áreas tem barreiras profundas de classe, poder econômico e social (ex.: formação de médicos)? É preciso também problematizar quem está/pode/consegue/realiza este debate, e quem pode fazer/estudar ciência, publicar e pesquisasr. Afinal, para questionar o conhecimento científico, para discutir o que a ciência pensa e faz, é preciso ter acesso a este conhecimento. O conhecimento científico circula geralmente em espaços inacessíveis ao público em geral, como em artigos em meios pagos – e caros. Até mesmo médicos podem ficar sem este acesso.

Enquanto o conhecimento científico circular só entre cientistas, pesquisadores e instituições ligadas à ciência, como a universidade, é preciso saber como se faz essa ciência e quem a controla (raramente este questionamento aparece nas principais mídias, pois quando vão falar de um assunto, prevalece a fala do ‘especialista’). Porém, a própria Ciência poderia ter mais participação social e controle democrático (no que se investe, o que se prioriza, o que se estuda, quem estuda, para quem se pesquisa), mas infelizmente não é o que acontecem geral. Muita atenção: este comentário não é anti/contra a Ciência: o que argumento é que ela não é neutra, ou seja, é preciso pensar historicamente, situadamente, para quem o conhecimento e práticas científicas geralmente são produzidos.

Há a situação de dependência, para pesquisas sérias, de instituições que paguem a compra de periódicos (produzido pelos proprios cientistas, no Brasil geralmente financiados pelo proprio governo que tem que pagar por eles). Em contraponto a isso, existem iniciativas como o Open Science (Ciência aberta):

Na questão da medicina, existe um trecho deste texto do Ivan Illich que diz “destruição do potencial cultural das pessoas e das comunidades para lidar de forma autônoma com a enfermidade, a dor e a morte”. O quanto do conhecimento popular, útil e necessário, se perde, invisibiliza ou é aniqulidado quando somente o conhecimento tecno-científico (dos cientistas, pesquisadores e profissionais) é considerado válido?

São inúmeros os casos do conhecimento científico entrar em embate com o popular.  E desestruturar comunidades (ver livro Golem a Solta). As questões populares terão análise científica? (e o contrário?) Se sim, de que áreas? (importante: há interdisciplinariedade? medicina será analisa apenas por este campo do conhecimento, ou por computação, ciência sociais, psicologia e design? há investimento, estimulo nessas áreas tbm?).

O que acontece quando população em geral não tem acesso ao conhecimento científico, apenas tendo como interface com a Ciência a posição de receptor das práticas profissionais derivadas desse conhecimento? Ficam dependentes de um grupo que não vai dar conta de atende-los e terão que se valer de métodos mais distantes daqueles considerados pelo discurso cientifico, e ainda serem criticados pelos cientistias/pesquisadores/profissionais por isso?

Este texto é uma reformulação inicial de um rascunho que escrevi certa vez (publicado apenas como comentário de Facebook) sobre o Ato Médico.

Texto sobre Design Libre na frança (2011)

O Frederick encontrou este texto, “VERS UN DESIGN LIBRE”, de 2011 por Christophe André, que utiliza “Design Livre” para falar de várias propostas, e com algumas coisas próximas do que propomos em Design Livre e do que é discutido em Open Design.

Trechos com tradução feita com Google Tradutor (eu não sei nada de francês):

Produção autônoma, produção heterônoma: um equilíbrio a ser atingido.

Nessa perspectiva, imagine uma empresa que não se baseia apenas em objetos de consumo, mas na auto-produção. Várias comunidades coexistem e, em cada uma, os membros poderiam fazer os seus próprios objetos em oficinas de grupo à sua disposição. Cada comunidade pode ter uma produção específica que poderia negociar como essas trocas sem comprometer a autonomia da comunidade.

No entanto, nem todos têm as habilidades para auto-produzir tudo e esta prática não impede a especialização relativa e algum comércio hardware desde que esses objetos são produzidos sob uma licença livre, deixando a possibilidade para outros usuários do fabricação. Um novo paradigma é a construção, onde o designer iria financiar essa pesquisa antes e receberia um salário a partir da transmissão de know-how na formação  mais do que vendendo itens.

Convite: Alguém sabe algo de francês para traduzirmos o texto? Seria interessante conhecê-lo melhor! :)